Vítimas divergem sobre a representação do acidente em obra da Netflix, e governador de Goiás diz que vai reajustar em 70% as pensões pagas a elas.
“Emergência Radioativa”, com estreia na Netflix nesta quarta-feira (18), já causou uma divisão entre os sobreviventes do acidente com césio-137 em Goiânia no qual a série se inspira.
O caso aconteceu em 1987, um ano após o desastre de Chernobyl, quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca do chumbo que o revestia e acabaram espalhando material radioativo entre moradores, provocando o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear.
Mesmo tendo visto apenas os comerciais, que circularam via WhatsApp, alguns sobreviventes dizem que a história não aconteceu da forma que é retratada nas telas e se sentem incomodados. Outros, por outro lado, não veem problema.
São Paulo virou Goiânia
Parte do incômodo se deve ao fato de que as filmagens ocorreram em cidades da Grande São Paulo, como Santo André e Osasco, o que gerou críticas do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia.
Moraes acrescenta que, ao mesmo tempo, o clima nesta semana é de comemoração, diante da expectativa de um reajuste de 70% na pensão vitalícia paga às vítimas pelo governo de Goiás.
A proposta foi anunciada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD), por meio de um projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa de Goiás na segunda-feira (16).
O texto prevê que os moradores mais afetados pela radiação — conforme exames realizados à época do acidente — passem a receber R$ 3.242, ante os atuais R$ 1.908. Os demais receberiam R$ 1.621, em vez dos R$ 954 pagos hoje.
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Ferro-velho em Goiânia de onde o césio-137 se espalhou
Ao todo, 603 pessoas recebem o benefício, e os valores estão congelados desde 2018. Deputados chegaram a apresentar propostas de reajuste, mas elas enfrentaram entraves políticos — uma delas, inclusive, foi vetada por Caiado sob a justificativa de falta de estudos sobre o impacto orçamentário.
O ator Johnny Massaro, que interpreta um físico na produção, diz que a busca foi pelo “lado humano e dramático do caso”, mas acrescenta que é difícil não pensar sobre os impactos que ela pode ter na realidade.
“As feridas estão abertas, porque as vítimas que ainda sofrem as consequências. É uma história que pertence a elas, mas, ao mesmo tempo, pertence ao imaginário de toda a sociedade”, ele diz. “As pessoas vão no momento de lazer, mas tem essa beleza quando o entretenimento encontra uma função social e política.”



