Demissão de Crespo expõe crise estrutural e administrativa; time luta para reencontrar relevância enquanto Palmeiras e Flamengo dominam o cenário nacional.
A saída repentina de Hernán Crespo do São Paulo não surpreendeu apenas pela forma, mas pelo contexto em que ocorreu. O treinador vinha reconstruindo um elenco marcado por problemas internos, escândalos e resultados vexatórios, e mesmo assim conseguiu levar o time à semifinal do Campeonato Paulista e estabilizá-lo no Brasileirão.
O clube atravessa uma fase de desorganização histórica: vendas de ingressos irregulares, salários atrasados, departamentos médicos com práticas questionáveis, Morumbis alugados a preço de banana e humilhações dentro de campo — do atropelo pelo Mirassol aos 11 jogos de freguesia contra o Palmeiras. Apesar disso, Crespo conseguia extrair do time o melhor possível.
O episódio da demissão, justamente quando o São Paulo mostrava sinais de reação, evidencia a visão equivocada da diretoria, agora liderada por Harry Massis. A escolha por Roger Machado, treinador ainda pouco testado em grandes desafios, mostra prioridade em manter controle do ambiente e alimentar ilusões, em vez de fortalecer de fato a equipe.
A realidade é dura: o São Paulo não possui estrutura, investimento nem elenco compatíveis com os rivais que dominam o futebol brasileiro. Palmeiras e Flamengo ditam o ritmo; times como o Tricolor tentam acompanhar. A soberania do passado há muito tempo deu lugar à instabilidade, e o apequamento do clube se acelera a cada decisão mal calculada.
Historicamente gigante e respeitado no futebol mundial, o São Paulo hoje é um clube que sobrevive de passado. Disputar grandes títulos tornou-se exceção, e não regra. Aceitar essa realidade é o primeiro passo para tentar reconstruir o caminho de volta à relevância, mas a torcida precisará de paciência e a diretoria, de escolhas muito mais acertadas.
O Tricolor precisa, mais do que nunca, reencontrar a racionalidade administrativa e esportiva para não continuar se apequenando frente às forças que hoje comandam o futebol nacional.



