Mulheres dos Movimentos sociais da Reforma Agrária fecham BR-163 em Campo Grande e pressionam governo por reforma agrária

Protesto liderado por trabalhadoras do campo bloqueou os dois sentidos da rodovia, causou congestionamento e ampliou a pressão por assentamentos e políticas públicas em Mato Grosso do Sul

Um protesto liderado por mulheres dos Movimentos socias que interditou totalmente a BR-163, em Campo Grande, na manhã desta sexta-feira (20), e transformou um dos principais corredores rodoviários de Mato Grosso do Sul em palco de pressão política por reforma agrária. A manifestação ocorreu na altura do km 463 e bloqueou os dois sentidos da via. Segundo informações divulgadas pela concessionária e reproduzidas pela imprensa local, cerca de 150 pessoas participaram do ato, com retenção de aproximadamente 3 quilômetros no sentido sul e 1 quilômetro no sentido norte.

O movimento afirma que a mobilização faz parte das ações de março em defesa da luta das mulheres do campo. Na linha de frente do protesto, elas reivindicam celeridade para famílias acampadas, retomada de processos de assentamento paralisados e a ampliação de políticas públicas que garantam terra, moradia e condições dignas de produção. Em nota, o MST também vinculou o bloqueio à preparação para o “Abril Vermelho”, período tradicional de mobilizações em defesa da reforma agrária.

A interdição provocou paralisação total do tráfego no trecho, e equipes da Polícia Rodoviária Federal negociaram com os manifestantes ao longo da manhã. Até aquele momento, apenas ambulâncias tinham passagem liberada. Motoristas foram orientados a buscar desvios pela MS-040, no sentido norte, e pela saída para Sidrolândia, no sentido sul.

O protesto amplia a pressão sobre o poder público em Mato Grosso do Sul em meio às cobranças por avanço na pauta agrária. Além do bloqueio na BR-163, movimentos sociais já vinham mantendo mobilização em frente à sede do Incra em Campo Grande desde o início da semana, defendendo medidas concretas para destravar a reforma agrária no estado. O Incra informou que deverá se posicionar oficialmente sobre as reivindicações.