O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à flexibilização das regras de posse de armas adotada no governo Jair Bolsonaro, afirmando que a medida acabou beneficiando criminosos. A declaração foi dada nesta sexta-feira (17), em Barcelona, após reunião bilateral com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Durante conversa com a imprensa, Lula afirmou que o “afrouxamento” das regras no Brasil gerou desvios e contribuiu para o aumento da criminalidade. Segundo ele, políticas públicas devem priorizar a segurança da população e enfrentar com seriedade o avanço do crime organizado.
“O papel dos governos é cuidar das pessoas. E isso passa por combater o aumento da criminalidade de forma responsável”, afirmou o presidente, ao criticar o que classificou como uma medida “irresponsável” do governo anterior.
Lula também alfinetou setores que, segundo ele, defendem atualmente soluções externas para o combate ao crime. Para o presidente, o enfrentamento deve ocorrer com responsabilidade interna, aliado a parcerias internacionais equilibradas.
Cooperação internacional e combate ao crime
O encontro com Pedro Sánchez também marcou o fortalecimento da cooperação entre Brasil e Espanha na área de segurança pública. Lula destacou operações conjuntas de combate ao narcotráfico, que já resultaram na apreensão de mais de 10 toneladas de drogas.
Além disso, o presidente anunciou a ampliação da atuação espanhola em iniciativas multilaterais, incluindo ações com países da região amazônica e projetos de combate a crimes ambientais.
Outro ponto abordado foi o uso de tecnologia na segurança. Lula afirmou que a Polícia Federal brasileira está disponível para compartilhar com autoridades espanholas o “Sistema Rapina”, ferramenta voltada à identificação de crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet.
Violência, internet e proteção social
Durante o discurso, Lula também relacionou o aumento da violência à disseminação de discursos de ódio no ambiente digital. Segundo ele, a falta de regulação das plataformas contribui para um cenário de toxicidade, especialmente entre jovens.
“Sem regras, as grandes empresas de tecnologia acumulam poder e exploram dados, criando uma espécie de colonialismo digital”, afirmou.
O presidente ainda destacou a assinatura de um acordo com a Espanha para o enfrentamento da violência contra as mulheres. Ele ressaltou a importância de políticas públicas voltadas à proteção das vítimas e afirmou que o Brasil pretende adotar modelos bem-sucedidos implementados no país europeu.
Parcerias tecnológicas e soberania digital
Encerrando a agenda, Lula anunciou iniciativas de cooperação entre centros de pesquisa brasileiros e espanhóis, com foco no desenvolvimento de inteligência artificial e inovação tecnológica. Segundo ele, o objetivo é fortalecer a soberania digital dos países e ampliar a capacidade de प्रतिसposta a desafios globais.
As declarações reforçam a posição do governo brasileiro em temas como segurança pública, regulação digital e cooperação internacional, em um cenário de crescente debate sobre políticas de combate ao crime e uso de tecnologia.



