Fala de vereador sobre médicos provoca protesto e amplia crise na Saúde de Sidrolândia

Declarações de Gabriel Autocar na tribuna da Câmara geraram reação de servidores, que foram às ruas pedir respeito e cobraram valorização da categoria.

A crise na saúde pública de Sidrolândia ganhou um novo capítulo nesta semana após declarações do vereador Gabriel Autocar (PSD) contra médicos da rede municipal provocarem forte reação de servidores da pasta. Durante sessão na Câmara na segunda-feira (23), o parlamentar criticou atendimentos e chamou profissionais de “bombadinhos”, fala que repercutiu negativamente e motivou um protesto na tarde de quarta-feira (25).

A manifestação reuniu cerca de 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros e servidores administrativos. O grupo percorreu ruas do município, passou em frente à Câmara Municipal e seguiu até a UPA, acompanhado por uma ambulância do Samu. Durante o ato, os participantes defenderam o trabalho prestado à população e classificaram a declaração do vereador como ofensiva e desrespeitosa.

Mesmo diante da repercussão, Gabriel Autocar manteve o tom das críticas. Segundo ele, o requerimento apresentado na Câmara busca apurar plantões médicos, número de funcionários e possíveis irregularidades na estrutura da Secretaria Municipal de Saúde. O vereador também afirmou que quer informações completas sobre a rede e citou suspeitas de servidores que não estariam trabalhando regularmente.

Do outro lado, a Secretaria de Saúde reagiu. A secretária Vanessa Prado afirmou que o discurso tem afetado diretamente o ambiente de trabalho e pode até comprometer a permanência de profissionais no município. Segundo ela, o movimento foi pacífico e teve como objetivo defender respeito à categoria e evitar um cenário de desmotivação capaz de prejudicar o atendimento à população. Ela também declarou que a rede realiza entre 500 e 600 atendimentos diários e apontou avanços recentes no sistema.

A tensão política pode aumentar nos próximos dias. Com base nas denúncias levantadas pelo parlamentar, vereadores devem avaliar a abertura de uma CPI para apurar a situação da saúde municipal. Até a publicação das reportagens consultadas, o prefeito Rodrigo Basso (PL) ainda não havia se manifestado sobre o requerimento nem sobre a polêmica que tomou conta da cidade.

O episódio transformou uma crítica em plenário em um embate público entre Legislativo e servidores, elevando a pressão sobre a gestão da saúde em Sidrolândia e colocando a Câmara no centro de uma discussão que mistura fiscalização, respeito institucional e qualidade do atendimento.